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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
sábado, 20 de novembro de 2010
Quem paga a música escolhe a dança?
Marisa Lajoto, uma das maiores especialistas em Monteiro Lobato explica do que trata “Caçadas de Pedrinho” e opina sobre o parecer do CNE – Conselho Nacional de Educação, em seu artigo: Quem paga a música escolhe a dança?
“Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, está em pauta e é bom que esteja, pois é um livro maravilhoso. Narra às aventuras da turma do sítio de Dona Benta primeiro às voltas com a bicharada da floresta próxima e, depois, com uma comissão do governo encarregada de caçar um rinoceronte fugido de um circo. Nos dois episódios prevalecem o respeito ao leitor, a visão crítica da realidade, o humor fino e inteligente.
Na primeira narrativa, a da caçada da onça, as armas das crianças são improvisadas e na hora agá não funcionam. É apenas graças à esperteza e inventividade dos meninos que eles conseguem matar a onça e arrastá-la até a casa do sítio. A morte da onça provoca revolta nos bichos da floresta e eles planejam vingança numa assembléia muito divertida: felinos ferozes invadem o sítio e – de novo - é apenas graças à inventividade e esperteza das crianças ( particularmente de Emília) que as pessoas escapam de virar comida de onça.
Na segunda narrativa, a fuga de um rinoceronte de um circo e seu refúgio no sítio de dona Benta leva para lá a Comissão que o governo encarregou de lidar com a questão. Os moradores do sítio desmascaram a corrupção e o corpo mole da comissão, aliam-se ao animal cioso da liberdade conquistada e espantam seus proprietários. E, batizado Quindim, o rinoceronte fica para sempre incorporado às aventuras dos picapauzinhos.
Estas histórias constituem o enredo do livro que parecer recente do Conselho Nacional de Educação (CNE), a partir de denúncia recebida, quer proibir de integrar acervos com os quais programas governamentais compram livros para bibliotecas escolares. O CNE acredita que o livro veicula conteúdo racista e preconceituoso e que os professores não têm competência para lidar com tais questões. Os argumentos que fundamentam as acusações de racismo e preconceito são expressões pelas quais, Tia Nastácia é referida no livro, bem como a menção à África como lugar de origem de animais ferozes.
Sabe-se hoje que diferentes leitores interpretam um mesmo texto de maneiras diferentes. Uns podem morrer de medo de uma cena que outros acham engraçada. Alguns podem sentir-se profundamente tocados por passagens que deixam outros impassíveis. Para ficar num exemplo brasileiro já clássico, uns acham que Capitu (D. Casmurro, Machado de Assis, 1900) traiu mesmo o marido, e outros acham que não traiu, que o adultério foi fruto da mente de Bentinho. Outros ainda acham que Bentinho é que namorou Escobar!
É um grande avanço nos estudos literários esta noção mais aberta do que se passa na cabeça do leitor quando seus olhos estão num livro. Ela se fundamenta no pressuposto segundo o qual, dependendo da vida que teve e que tem daquilo em que acredita ou desacredita, da situação na qual lê o que lê, cada um entende uma história de um jeito. Mas essa liberdade do leitor vive sofrendo atropelamentos. De vez em quando, educadores de todas as instâncias – da sala de aula ao Ministério de Educação - manifestam desconfiança da capacidade de os leitores se posicionarem de forma correta face ao que lêem. Infelizmente, estamos vivendo um desses momentos.
Como os antigos diziam que quem paga a música escolhe a dança, talvez se acredite hoje ser correto que quem paga o livro escolha a leitura que dele se vai fazer. A situação atual tem sua (triste) caricatura no lobo de Chapeuzinho Vermelho que não é mais abatido pelos caçadores, e pela dona Chica-ca que não mais atira um pau no gato-to. Muda-se o final da história e reescreve-se a letra da música porque se acredita que leitores e ouvintes sairão dos livros e das canções abatendo lobos e caindo de pau em bichanos.
Trata-se de uma idéia pobre, precária e incorreta que além de considerar as crianças como tontas, desconsidera a função simbólica da cultura. Para ficar em um exemplo clássico, a psicanálise e os estudos literários ensinam que a madrasta malvada de contos de fada não desenvolve hostilidade contra a nova mulher do papai, mas – ao contrário - pode ajudar a criança a não se sentir muito culpada nos momentos em que odeia a mamãe, verdadeira ou adotiva...
Não deixa de ser curioso notar que esta pasteurização pretendida para os livros infantis e juvenis coincide com o lamento geral – de novo, da sala de aula ao Ministério da Educação - pela precariedade da leitura praticada na sociedade brasileira. Mas, como quem tem caneta de assinar cheques e de encaminhar leis tem o poder de veto, ao invés de refletir e discutir, a autoridade veta. E veta porque, no melhor dos casos e muitas vezes com a melhor das intenções, estende suas reações a certos livros a um numeroso e anônimo universo de leitores
No caso deste veto a “Caçadas de Pedrinho”, a Conselheira Relatora Nilma Lino Gomes acolhe denúncia de Antonio Gomes da Costa Neto que entende como manifestação de preconceito e intolerância de maneira mais específica a personagem feminina e negra Tia Anastácia e as referências aos personagens animais tais como urubu, macaco e feras africanas ; (...) aponta menção revestida de estereotipia ao negro e ao universo africano , que se repete em vários trechos do livro analisado e exige da editora responsável pela publicação a inserção no texto de apresentação de uma nota explicativa e de esclarecimentos ao leitor sobre os estudos atuais e críticos que discutam a presença de estereótipos na literatura.
Independentemente do imenso equívoco em que, de meu ponto de vista, incorrem o denunciante e o CNE que aprova por unanimidade o parecer da relatora, o episódio torna-se assustador pelo que endossa, anuncia e recomenda de patrulhamento da leitura na escola brasileira. A nota exigida transforma livros em produtos de botica, que devem circular acompanhados de bula com instruções de uso.
O que a nota exigida deve explicar? O que significa esclarecer ao leitor sobre os estudos atuais e críticos que discutam a presença de estereótipos na literatura? A quem deve a editora encomendar a nota explicativa ? Qual seria o conteúdo da nota solicitada ? A nota deve fazer uma auto-crítica ( autoral, editorial ?) , assumindo que o livro contém estereótipos? A nota deve informar ao leitor que “Caçadas de Pedrinho” é um livro racista? Quem decidirá se a nota explicativa cumpre efetivamente o esclarecimento exigido pelo MEC?
As questões poderiam se multiplicar. Mas não vale a pena. O panorama que a multiplicação das questões delineia é por demais sinistro . Como fecho destas melancólicas maltraçadas aponte-se que qualquer nota no sentido solicitado – independente da denominação que venha a receber, do estilo em que seja redigida, e da autoria que assumir- será um desastre. Dará sinal verde para uma literatura autoritariamente auto-amordaçada. E este modelito da mordaça de agora talvez seja mais pernicioso do que a ostensiva queima de livros em praça pública, número medonho, mas que de vez em quando entra em cartaz na história desta nossa Pátria amada idolatrada salve salve. E salve-se quem puder... Pois desta vez a censura não quer determinar apenas o que se pode ou não se pode ler, mas é mais sutil, determinando como se deve ler o que se lê!
José Bento Renato Monteiro Lobato, nascido em Taubaté em 18 de abril de 1882, foi um dos mais influentes escritores brasileiros do século XX. Monteiro Lobato como é conhecido, foi editor de livros inéditos e entre as mais famosas destaca-se Reinações de Narizinho (1931), Caçadas de Pedrinho (1933) e O Picapau Amarelo (1939).
A obra literaria "Caçadas de Pedrinho" foi publicada em 1933 e já foi distribuído pelo próprio MEC a colégios de ensino fundamental e agora entrou em questão no CNE - Conselho Nacional de Educação.
No fim do mês de Outubro, um parecer publicado no Diário Oficial da União sugeriu a referida da obra literária infantil "Caçadas de Pedrinho" das escolas brasileiras, pois alegam que a mesma possuir conteúdo racista e se o livro continuar sendo distribuído que acrescente uma nota explicativa.
Baseados nos trechos em que a cor, a aparência e os trejeitos da personagem Tia Nastácia são denegridos e ridicularizados pelo autor foram apontados como preconceituosos e possivelmente interfeririam na formação de conceitos e visão de mundo das crianças e na autoestima das afrodescendentes.
Fernando Haddad, atual ministro do MEC – Ministério da Educação e Cultura não aprovou o veto. O livro continuará sendo distribuído nas escolas e terá notas explicativas sobre o contexto histórico em que foi escrito. Haddad alega que Monteiro Lobato é um clássico brasileiro da literatura infantil.
Conforma Haddad alega, Lobato é um grande classico de nossa literatura, um referencial literario e excluir essa obra seria deixar de contar parte da história brasileira, pois Monteiro Lobato em suas histórias descreve a realidade brasileira e um exemplo disso é o próprio racismo presente na obra em questão, como também a caçada pela onça pintada, um animal da fauna brasileira e que atualmente encontra-se em extinção.
Escrito por: Débora Elayne, Karine Greyce e Patrícia Rousy
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Pelotas, nasceu a escritora brasileira Lygia Bojunga Nunes e aos oito anos de idade mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro.
Sua vida profissional teve início no rádio e depois no teatro. Em 1972 começou a dedicar-se a literatura infantil.
Bojunga escreve baseado na perspectiva da criança, o que a tornou conhecida foi seu realismo mágico e contos fantásticos baseados na imaginação infantil.
Em 1992, Lygia Bojunga recebeu a medalha Hans Christian Andersen, considerada o prêmio Nobel dos autores para a infância e juventude de todo o mundo, ela foi a primeira escritora fora do eixo Europa-Estados Unidos a receber essa medalha. Em 2004 recebeu, na Suécia, o prêmio ALMA (Astrid Lindgren Memorial Award), a maior premiação internacional
até hoje conferida à literatura para crianças e jovens.
Obras:
- Os Colegas - 1972
- Angélica - 1975
- A Bolsa Amarela - 1976
- A Casa da Madrinha - 1978
- Corda Bamba - 1979
- O Sofá Estampado - 1980
- Tchau - 1984
- O Meu Amigo Pintor - 1987
- Nós Três - 1987
- Livro, um Encontro - 1988
- Fazendo Ana Paz - 1991
- Paisagem - 1992
- Seis Vezes Lucas - 1995
- O Abraço - 1995
- Feito à Mão - 1996
- A Cama - 1999
- O Rio e Eu - 1999
- Retratos de Carolina - 2002
- A Bolsa Amarela - 2005
- Aula de Inglês - 2006
- Sapato de Salto - 2006
- Dos Vinte 1 - 2007
Por: Débora Elayne, Karine Greyce e Patrícia Rousy
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Resenha do livro " Tchau"

O livro Tchau, cuja autora é Lygia Bojunga, trata nos textos um a cinco sobre a vida da família de Rebeca, uma criança já crescida, filha de um pai músico, mãe possívelmente doméstica, e irmã mais velha de Donatelo. Rebeca no decorrer dos textos descobre que sua mãe está preste a separ-se de seu pai para ir morar com um homem fora do país, o que a deixa muito enqueta . No primeiro texto "O buquê", Rebeca fica surpresa e curiosa para descobrir quem é a pessoa que enviou um boquê para sua mãe, na qual veio com um cartão escrito em francês e assinado por Nikos. Logo em seguida sua mãe recebe uma ligação e fica nervosa ao falar no telefone, e ao desligar o telefone, sua mãe a convida para colocar as flores em um vaso com água, e nada fala sobre a pessoa que lhe enviara o buquê.
No segundo texto " Na beira do mar", após fazer compras com sua mãe, Rebeca passa na praia e ambas começam a caminhar a beira-mar. Sua mãe descida sentar e Rebeca aproveita para brincar e fazer um castelo de areia. Nesse espaço de tempo, sua mãe lhe comunica que irá separ-se de seu pai, o que deixa Rebeca surpresa, porém sua mãe continua e explica os motivos da separação, o que leva Rebeca explicar a ausência de seu pai e demonstrar seu carinho por sua mãe.
Embora Rebeca faça diversas justificativas, sua mãe continua a explica-la o que sente por esse namorado, como também de seu amor por ela e por seu irmão e, no fim desse dialogo sua mãe declara o nome doe seu namorado, o homem que lhe enviou o buquê, cujo nome é Nikos, um grego e ambos se comunicam em francês.
No terceiro texto" No sofá da sala", Rebeca passa a observara discussão entre seu pai e sua mãe e, cujo o assunto é sobre a separação. Nesa conversa, uma das questões é sobre as crianças, na qual a mãe passa a explicar que não será possível levar as crianças e que só depois voltará para busca-las, isso faz com que seu pai imponha uma decisão para sua mãe, que ou levaria as crianças com ela ou nunca mais as levariam.
No quarto texto " Na mesa do botequim", narra a volta de Rebeca para casa, e nesse caminho ela encontra seu pai bebendo em um botequim. Rebeca se aproxima tomando um sorvete e começa a dialogar com ele sobre a separação de sua mãe. Em determinado momento seu pai para e passa a observa-la, percebe como ela é parecida com sua mãe. A boca, o nariz, o jeito de olhar, até as sardas são parecidas. Diante de tanta tristeza Rebeca se prontica e promete impedir que sua mãe deixe a casa.
No quarto texto " A mala", Rebeca ao entrar no quarto de sua mãe observa uma mala pronta e aberta. Ela deita-se no chão e finge desenhar um barco, porém está só observando os passos de sua mãe dentro de casa. Vê que ela entra no quarto de Donatelo e começa a alisa-lo como forma de despedida, em seguida uma bozina toca e ela corre para pegar a mala, abraça Rebeca e vai em direção à porta, porém Rebeca tenta contê-la segurando a mala, mais não adianta. Ocorre nesse momento um puxa-puxa de mala entre ambas, até que por alguns segundos sua mãe para, fica calada e derepente diz um simples Tchau e vai embora, deixando para trás sua casa, filhos e a mala.
O fim desse texto encerra-se com um bilete que Rebeca escreve para seu pai, naqual está escrito que tentou segurar sua mãe porém só consegui ficar com a mala, o que na visão de Rebeca a fará retorna, uma vez que nada levou.
Escrito por Débora Elayne, Karine Greyce e Patrícia Rousy
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
O prazer de ler
Atualmente a expressão desenvolver o prazer de ler representa melhor o modo como se compreendeo ato da leitura hoje, e uma das teorias literáias que proporciona a compreensão desse praze é a Estética da Recepção, na qual um dos representantes dessa teoria é Hans Robert Jauss.
A Estética da Recepção revela-se pela sua função emancipatória, ao transformar a visão de mundo do leitor, da maneira que proporciona ultrapassar o papel de mero reprodutor de padrões, interferindo na história, criando normas e novos comportamentos sociais. Essa teoria literária procura superar uma noção de arte onde esteja fundamentada numa verdade interna e absoluta, por exemplo, o coerência entre forma e conteúdo, bem e belo, porém Jauss dedica-se ao que ele denomina práxis estética, onde tem como contribuintes Aristóteles e Kant.
Jauss não acedita que o significado de uma criação artística possa ser alcançado, sem ser vivenciado esteticamente pelo leitor. Logo, o prazer estético na qual a leitura proporciona é compreendido como elemento fundamental da arte, e segundo Jauss o significado primitivo do prazer é o mesmo que "ter uso ou proveito de alguma coisa".
Os conceitos de Aisthesis e Karthasis são os conceitos considerados por Jauss como favorecedores sobre a reflexão do prazer estético, que são originárias da poética de Aristóteles, na qual apontam para a relação entre prazer e conhecimento. Outro contribuinte é Agostinho, que propós a diferenciação entre os perigos do prazer originados pela relação com o mundo e o praze da relação com Deus. Górgias destaca o caráter de sedução e convencimento que o texto exerce sobre o leitor ao apelar para o caráter emocional. Porém Jauss afirma que, a associação entre o prazer, alienação e sentimentalismo resultou na desvalorização do prazer estético.
O autor cita alguns autores que vêem a possibilidade de integração do prazer, tais como Marx na qual enconta o prazer no trabalho e Schiller que entende a separação entre prazer e o trabalho. Jauss chama a tenção para o prazer como parte de um desejo de transformação do mundo, onde a Psicanálise acredita que o prazer estético está relacionado com o reconhecimento de fatos do passado.
Jauss apresenta três categorias fundamentais da fruição estética, que foram foram se delineando através da história da crítica literária. A primeira delas é a Poiesis que corresponde ao caráter produtivo da experiência estética, a segunda é a Aisthesis que está relacionado a capacidade receptiva, a percepção sensível e prazerosa do objeto estético e por fim a Karthasis na qual designa o prazer dos afetos provocados pelo texto e corresponde à experiência estética cominicativa básica.
Jauss conclui que o prazer estético não se divide em prazer sensível e fruição, mas se complexifica, o autor engloba uma idéia de prazer associado ao trabalho, à apropriação, à cognição e à subjetividade, em um jogo dinâmico.
Escrito por: Débora Elayne, Karine Greice e Patrícia Rousy
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